Começo oficial do inverno 2025 será com contraste térmico no Brasil
O inverno astronômico de 2025 começa oficialmente nesta sexta-feira, 20 de junho, às 23h42 (horário de Brasília). Essa data marca o solstício de inverno, momento em que o Hemisfério Sul está mais inclinado para longe do Sol, resultando no dia mais curto e na noite mais longa do ano. Mas o frio que já chegou em partes do país neste mês de junho deve continuar com a mesma intensidade?
Na meteorologia, o inverno compreende os meses de junho, julho e agosto, período conhecido como JJA. Segundo os dados mais recentes do modelo climático ECMWF, analisados desde maio, os próximos meses devem trazer anomalias térmicas e de precipitação relevantes, especialmente para o Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.
Previsão de chuva: Norte úmido, Sul com variações
A previsão de precipitação para o inverno 2025 mostra que a maior parte do Brasil deve registrar chuvas dentro da média histórica para a estação. No entanto, há áreas com possíveis desvios, especialmente:
Na Região Norte, existe uma probabilidade entre 40% e 60% de ocorrerem chuvas acima da média, com anomalias que podem chegar a +50 mm. Porém, essa tendência deve ser vista com cautela. A presença de temperaturas elevadas da superfície do mar no Atlântico Norte pode desviar a umidade da Amazônia para o Hemisfério Norte, o que tende a reduzir a quantidade de chuva efetiva na região, mantendo a média ou até mesmo provocando déficits.
No Sul do Brasil, há áreas onde a precipitação pode ficar até 50 mm abaixo da média, embora na maior parte da região as chances não sejam suficientemente expressivas para confirmar esse comportamento com segurança.
O litoral do Sudeste, especialmente entre São Paulo e Rio de Janeiro, pode registrar chuvas ligeiramente acima da média, com até 50% de chance de desvio positivo.
De maneira geral, a ausência de fenômenos globais como El Niño ou La Niña aumenta o papel dos sistemas atmosféricos de curta duração, como frentes frias, cavados e ciclones extratropicais. Isso significa que os episódios de chuva intensa e localizada continuam possíveis, principalmente no Sul e Nordeste, mesmo que a média da estação não indique excesso de precipitação.
Temperaturas: médias acima do normal, mas com ondas de frio
A previsão de temperatura indica uma anomalia positiva em boa parte do território nacional. O modelo europeu mostra:
Entre 50% e 60% de probabilidade de que as temperaturas fiquem até 1°C acima da média no Rio Grande do Sul e em partes do Sul.
Na faixa que compreende o Sudeste e o norte da Região Sul, essa chance aumenta para 70%, mantendo o padrão de anomalias térmicas positivas moderadas.
No Centro-Oeste e no interior do Nordeste, a chance de temperaturas até 2°C acima da média chega a 100% em alguns pontos, o que sugere um inverno mais quente nesses setores do país.
Apesar dessas projeções, isso não significa ausência de frio. Ao contrário: o inverno de 2025 deve ser mais frio do que o de 2024, principalmente no Sul, no Sudeste e em áreas do Centro-Oeste. Isso se deve à atuação frequente de sistemas de alta frequência, como massas polares, que podem causar quedas bruscas de temperatura e episódios de frio intenso, ainda que de curta duração.
Como entender essas previsões?
As previsões sazonais, como as do modelo ECMWF, são baseadas em médias mensais e trimestrais, e não em eventos isolados. Portanto, quando se diz que a temperatura pode ficar acima da média, isso se refere ao comportamento médio do trimestre, e não à ausência de ondas de frio.
Por exemplo, o mês de junho já tem registrado temperaturas abaixo do normal no Centro-Sul do país. No entanto, se julho e agosto forem mais quentes, a média da estação ainda pode fechar acima do esperado.
O mesmo raciocínio se aplica à chuva: mesmo que a previsão aponte para níveis dentro da média, isso não exclui a possibilidade de eventos extremos, como já ocorreu em regiões do Sul e do Nordeste neste mês.


