Contraste entre ar tropical e massa polar criará forte instabilidade no Sul
A última semana de Junho marca um novo episódio de tempo severo no Brasil. Um cenário de forte contraste térmico entre o ar quente tropical que domina o Centro-Oeste e o Sudeste e uma nova incursão de ar polar muito intenso sobre a Argentina criará as condições ideais para chuva volumosa sobre o Rio Grande do Sul neste fim de semana.
Após a madrugada mais fria do ano registrada na capital gaúcha, onde os termômetros chegaram a -0,7°C na região sul da cidade, o ar frio começa a dar lugar a uma corrente de ar mais quente que já atua sobre o Sudeste. Nesta quinta-feira, os termômetros dispararam em São Paulo, atingindo 27°C na estação do Mirante de Santana, na zona norte da capital. Em cidades do interior, como Rancharia, os extremos térmicos impressionaram: de -1,7°C ao amanhecer a 30,6°C à tarde.
Durante o sábado e domingo, o ar quente continuará se espalhando pelo Sudeste e Centro-Oeste, chegando ao Paraná e a Santa Catarina. Em partes do Mato Grosso, os termômetros devem alcançar ou superar os 35°C, enquanto o Mato Grosso do Sul e o interior paulista registrarão temperaturas acima dos 30°C.
Enquanto isso, uma massa de ar polar avança vigorosamente pela Argentina e pelo Uruguai, ingressando no Rio Grande do Sul ao longo do domingo, trazendo queda brusca nas temperaturas especialmente no final do dia. É justamente este choque térmico, com o avanço de uma frente fria, que resultará em chuvas intensas e persistentes no estado gaúcho.
A instabilidade climática começa já na manhã de sábado, atingindo inicialmente a Metade Norte do Rio Grande do Sul. No decorrer da tarde e noite, a chuva se espalha por quase todo o estado. O auge do evento está previsto entre o final da tarde de sábado e a manhã de domingo, quando os acumulados podem superar os 100 mm em poucas horas, especialmente em áreas do Norte e Nordeste gaúcho.
As regiões mais afetadas devem incluir as Missões, os Vales, o Planalto Médio, a Serra e o Litoral Norte, áreas cortadas por diversos rios já em níveis elevados ou acima do normal. A previsão é crítica, especialmente considerando o alto nível dos rios na Região Metropolitana de Porto Alegre, que somado ao sistema de macrodrenagem urbana já saturado, aumenta consideravelmente o risco de alagamentos. O acúmulo de chuva pode também provocar o transbordamento de arroios.
A situação climática exigirá atenção, principalmente devido à persistência da instabilidade associada ao forte contraste entre massas de ar e à incapacidade de escoamento das águas nas áreas mais vulneráveis.


