La Niña pode voltar ainda este ano e já levanta preocupações entre produtores de soja
O retorno do fenômeno La Niña ainda em 2025 voltou ao radar dos meteorologistas. Um relatório divulgado nesta quarta-feira (10) pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) aponta indícios de que o Pacífico pode sair da neutralidade e caminhar para uma configuração de La Niña nos próximos meses.
A possibilidade foi destacada pela Rural Clima e comentada pela Safras & Mercado, reacendendo o sinal de alerta sobre o impacto do clima no início da próxima safra de soja no Brasil. O fenômeno não é novidade para o produtor brasileiro, que ainda se lembra bem das estiagens do último ciclo — mesmo sem a confirmação oficial da La Niña na época.
Inverno mais seco e quente desafia regiões produtoras
De acordo com o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, o inverno de 2025 deve manter um padrão de baixa umidade e temperaturas mais elevadas, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Para julho e agosto, a expectativa é de chuvas escassas e tardes mais quentes, cenário que preocupa quem depende do campo.
Apesar do tempo seco, Müller destaca que a chuva deve voltar em setembro, em volume suficiente para atender o início do plantio da soja. “É um inverno típico de anos com influência oceânica neutra, mas a chuva deve chegar no momento certo para o agricultor iniciar o plantio com tranquilidade”, comenta.
La Niña pode marcar o início da safra, mas neutralidade deve prevalecer
O agrometeorologista Marco Antonio dos Santos reforça que ainda há incerteza sobre a consolidação do fenômeno. Para ele, a tendência é que o clima inicie a primavera sob influência de La Niña, mas retorne à neutralidade ao longo da estação.
A preocupação maior segue concentrada na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o risco de períodos de estiagem entre novembro e fevereiro não está descartado. “Podemos ter janelas de até 30 dias sem chuva em algumas áreas do sul do país”, alerta Santos.
Apesar de ainda ser cedo para bater o martelo, o especialista lembra que, mesmo na última safra sem La Niña confirmada, a atmosfera se comportou como se o fenômeno estivesse ativo, provocando secas severas em Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e no próprio Rio Grande do Sul.
Previsão para os próximos dias: tempo firme, mas chuvas pontuais retornam no Sul
A previsão até o domingo (14) é de tempo aberto na maior parte do país, com destaque para a persistência do ar seco no interior. As únicas exceções ficam por conta do extremo norte da Região Norte e do litoral do Nordeste, onde ainda podem ocorrer chuvas isoladas.
A partir do domingo, áreas de instabilidade voltam a atingir o Rio Grande do Sul e partes do território mineiro. Já entre os dias 16 e 17 de julho, o avanço de uma nova frente fria pode provocar chuvas mais consistentes no sul gaúcho, antes do retorno de uma nova massa de ar seco prevista para o dia 18.
Julho também deve ser marcado por uma grande amplitude térmica, típica do inverno brasileiro: manhãs frias, com nevoeiros e geadas pontuais, e tardes com temperaturas mais elevadas, especialmente no Centro-Oeste.
Nos Estados Unidos, clima favorece lavouras, apesar do excesso de chuva no Texas
O clima segue sendo monitorado também nos Estados Unidos. As chuvas persistem no Texas, com registros de alagamentos em algumas regiões. Já no Meio-Oeste norte-americano, área estratégica para o cultivo de milho e soja, o cenário é mais positivo: as precipitações devem continuar dentro da média nas próximas duas semanas, o que ajuda no desenvolvimento das lavouras de verão.


