O mês de junho é considerado o começo do inverno climático no Brasil, que engloba os meses de junho, julho e agosto. Embora o inverno astronômico só se inicie oficialmente às 23h42 do dia 20 de junho, os efeitos da nova estação já começam a ser sentidos em grande parte do país, especialmente no Sul. Este mês costuma ser caracterizado por temperaturas baixas, formação de geadas e, em alguns anos, até episódios de neve em áreas de maior altitude.
Porto Alegre: frio e precipitação elevada
Na capital gaúcha, junho tem uma temperatura média mínima histórica de 11,3 °C e uma máxima de 20,3 °C, com média mensal de 14,8 °C, configurando-se como o segundo mês mais frio do ano, atrás apenas de julho. A precipitação média na cidade atinge 130,4 mm, valor elevado que o coloca entre os meses com maior incidência de chuva, atrás de julho (163,5 mm), outubro (153,2 mm) e setembro (147,8 mm).
Comparando as séries históricas, observa-se um aquecimento sutil nas temperaturas nas últimas décadas. A média mínima subiu de 10,7 °C (1961–1990) para 11,3 °C (1991–2020) e a máxima de 19,2 °C para 20,3 °C, enquanto a chuva teve pouca variação, mantendo os valores similares.
Sudeste e Centro-Oeste: estação seca se instala
Na cidade de São Paulo, a chuva média em junho é de apenas 59,7 mm, refletindo a instalação da estação seca típica desta época. As temperaturas mínimas rondam os 13,5 °C, com máximas de 20,3 °C, padrões típicos de um mês com noites frias e tardes amenas.
Condições do Pacífico: neutralidade climática
Neste junho de 2025, o Oceano Pacífico Equatorial permanece em neutralidade, ou seja, sem a presença de El Niño ou La Niña. Segundo a NOAA, a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 está em -0,2 °C, dentro da faixa considerada neutra (-0,4 °C a +0,4 °C). Esse cenário tende a trazer variabilidade no padrão climático sem influências extremas associadas a esses fenômenos oceânicos.
Previsão de chuva: contrastes regionais
Junho costuma ter redução acentuada das chuvas no Centro do Brasil, enquanto o Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, observa aumento da precipitação. Esse aumento se deve à atuação de frentes frias e quentes e centros de baixa pressão, muito comuns nesta época.
Contudo, para 2025, a expectativa é de chuvas perto ou abaixo da média nas regiões Oeste, Centro e Sul do Rio Grande do Sul, enquanto na Metade Norte do estado os volumes podem ser mais elevados. Já Paraná e Santa Catarina devem enfrentar um junho mais chuvoso que o normal, com sistemas vindo da Argentina e do Paraguai impulsionando os acumulados de precipitação, especialmente no Paraná, onde os volumes podem ficar muito acima da média.
Além disso, algumas áreas do Centro-Oeste e Sudeste, como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais (especialmente o Sul) e Rio de Janeiro, podem observar chuvas acima da média, mesmo com a estação seca vigente.
Tendência de temperatura: variações entre as regiões
Os modelos climáticos internacionais mostram divergência nas projeções térmicas para este mês. O modelo europeu ECMWF sugere temperaturas próximas ou abaixo da média no Centro-Sul, enquanto o modelo norte-americano CFS aponta para temperaturas acima da média, exceto no Rio Grande do Sul.
A MetSul Meteorologia, considerando múltiplos modelos e dados, prevê que não haverá fortes incursões de ar polar, como já ocorreu em anos anteriores. Portanto, a chance de um junho extremamente frio, como em 2016, é muito baixa.
A primeira metade do mês tende a ser mais fria, influenciada por duas massas de ar frio: uma já presente desde o final de maio e outra prevista para a segunda semana de junho. A segunda quinzena, por outro lado, deve ser mais quente, com tardes agradáveis e, em algumas regiões, até quentes para os padrões de inverno.
Essa anomalia positiva de temperatura implica em menos noites geladas e maior número de tardes com temperaturas elevadas, principalmente no Centro-Oeste, parte do Sudeste e regiões centrais do Sul.
Junho de 2025 promete, portanto, um cenário climático marcado por contrastes, com destaque para a irregularidade das chuvas no Sul, a manutenção da estação seca no Centro do Brasil e a oscilação térmica entre semanas frias e períodos mais amenos, tudo isso sob a influência de um Oceano Pacífico neutro.


