- Frente fria derruba temperaturas em São Paulo nesta sexta-feira
- A geada histórica de 1918 e a lenda da neve na Avenida Paulista
- Por que não neva em São Paulo? Explicações técnicas
- Campos do Jordão e Cunha: exceções no Estado de São Paulo
- Recordes históricos de temperatura na capital paulista
- Prefeitura ativa a Operação Baixas Temperaturas
- Frio também atinge outras regiões do Brasil
Frente fria derruba temperaturas em São Paulo nesta sexta-feira
Nesta sexta-feira, 13 de junho de 2025, a cidade de São Paulo deve registrar a temperatura mais baixa do ano, com os termômetros podendo marcar até 7°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A chegada de uma frente fria intensa reforça o ar gelado, principalmente nos bairros periféricos e mais afastados do centro da capital.
A previsão, no entanto, não indica neve, apesar da simulação viral nas redes sociais criada por Douglas Ignacio, especialista em conteúdo com inteligência artificial, que mostrou locais emblemáticos da capital cobertos por neve, como a Avenida Paulista e o Parque Ibirapuera.
A geada histórica de 1918 e a lenda da neve na Avenida Paulista
O imaginário popular sobre neve em São Paulo tem origem em um episódio marcante do passado. Em 25 de junho de 1918, uma forte geada tomou conta da cidade. Relatos daquela época, inclusive uma anotação do meteorologista José Nunes Belford Mattos, sugerem que teria nevado na Avenida Paulista. Contudo, especialistas apontam que o que ocorreu foi uma sublimação de nevoeiro, associada à geada, e não neve de fato.
Conforme análises do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP) e da Climatempo, não há registro oficial de neve em São Paulo desde o início das medições em 1910. A meteorologista Daniela Freitas explicou que naquele dia de junho de 1918 o céu estava completamente limpo, o que impossibilita a formação de neve, que requer presença de nuvens e umidade elevada.
Por que não neva em São Paulo? Explicações técnicas
Segundo o professor Carlos Augusto Morales Rodriguez, do IAG-USP, a cidade nunca registrou simultaneamente temperaturas negativas e precipitação, uma condição fundamental para a ocorrência de neve. Devido à posição geográfica tropical e à influência do Oceano Atlântico, as massas de ar frio perdem força antes de causar esse fenômeno.
Para haver neve, seriam necessários dois fatores simultâneos: temperatura abaixo de 0°C e presença de nuvens de chuva estratiformes, típicas de frentes frias bem desenvolvidas. Isso jamais foi observado na cidade de São Paulo.
Campos do Jordão e Cunha: exceções no Estado de São Paulo
Embora a neve nunca tenha sido registrada oficialmente na capital, ela já apareceu em outras partes do estado. Campos do Jordão viu neve na década de 1920, com registros fotográficos desse evento. Também há relatos de neve em Cunha em 1946.
Mesmo durante episódios de frio extremo, como em 1988, Campos do Jordão não teve neve, devido à ausência de umidade suficiente para a formação do fenômeno, segundo a meteorologista Daniela Freitas.
Recordes históricos de temperatura na capital paulista
A temperatura mais baixa já registrada oficialmente em São Paulo foi de -2,1°C em 2 de agosto de 1955, no Mirante de Santana. Outros episódios notáveis incluem 0,8°C em 1948 e 1994, e 1,2°C em 1979 e 1994. Esses eventos, embora extremamente frios, não foram acompanhados por precipitação congelada.
Prefeitura ativa a Operação Baixas Temperaturas
Com o agravamento do frio, a Prefeitura de São Paulo iniciou na última terça-feira (10) a Operação Baixas Temperaturas, com a instalação de tendas de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade em vários pontos da cidade.
Essas estruturas são ativadas quando a temperatura média atinge 13°C e oferecem sopa, pão, chocolate quente, chá, água e cobertores. A população pode colaborar solicitando abordagem social pelo Portal 156, inclusive de forma anônima.
Frio também atinge outras regiões do Brasil
Enquanto São Paulo enfrenta o frio sem expectativa de neve, cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul já tiveram ocorrências recentes do fenômeno, graças à altitude elevada e à atuação de frentes frias mais intensas no Sul do país.


